Pensar faz bem.

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Leitura, uma chave pra muitas portas.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016







Alunas do 1º e 3º anos recitando o cordel.

SECA NO NORDESTE: A peleja da ciência com a experiência do homem da roça.
(APRESENTADOR(A)
Olá pessoal, apresentaremos a vocês uma peleja com dois poetas da nossa região; isto é, uma poetisa e um poeta.  Desse lado Maria da Silva, professora e pesquisadora que sempre se incomodou com as conseqüências da seca e tenta explicar às pessoas este fenômeno que maltrata o Nordeste brasileiro.  Do outro lado o Sr. Francisco Moura de Lima, conhecido como Chico da Beata, um agricultor experiente, conhecedor dos problemas da seca e que por meio das suas observações na roça é capaz de dizer os motivos e até profetizar coisas da natureza, pois, afirma ser devoto do padre Cícero e segundo ele, nunca errou uma profecia de seca ou inverno. Com vocês:
 Maria da Silva e Chico da Beata.
                            I






(M.S)  Meus senhores e senhoras
           Povo jovem, minha gente
           Vou declamar pra vocês
           Alguns versos no repente
           Quais são as causas da seca?
           Porque ela é tão presente?
                        
   II
(C.B) Eu cumprimento a todos
          Homem menino e mulher
          No meus verso vou dizer
          Sobre a seca o que ela é
          Quem me ensinou foi a roça,
          Também sou homem de fé
                     
   III
(M.S) Fiquem todos já sabendo
         Que o fenômeno é antigo
         Desde os tempos de Cabral
         A seca é o grande  inimigo.
         Não tem a ver com promessa
         Nem com reza, nem castigo
                  


                       

IV
(C.B)  É muito pelo contrário
           As “vêis” vem pra castigar
           Muita gente que é sem Deus
           Que não quer se ajoelhar
           Pra pedir um bom inverno
           E as nossas terra molhar

                      V
(M.S) As causas são naturais
         Isto até foi estudado
         O tal polígono da seca
         Figura com muitos lados
         Acontece no Nordeste
         E atinge oito estados
                    
 VI
(C.B) A experiência provada
          Pra nós tem muito valor
          Desde dois mil e doze
          A seca veio e ficou
          No céu voou tanajura
          Mas o chão seco ficou
                    
 VII
(M.S) Menos chuvas e calor
          São estas as previsões
          Algo pior está por vir
          É preciso intervenções
          Há cientistas prevendo
          As desertificações
                     
 VIII
(C.B)  Profeta do mau agouro
           Vira essa boca pra lá
           Ano que vem é inverno
           Vocês podem acreditar
           Vi um pau seco na roça
            Com as formiga “friviar
          

                          IX
(M.S)  Sua experiência é boa
           Porém, ponha o pé no chão
           O homem fere a natureza
           Pra depois pedir perdão
           Mas a natureza é sábia,
           Sabe dar sim e dar não
                         


X
(C.B) Nós da roça também sabe
           O sinal que a abelha dá
           Quando elas fica sumida
           O inverno custa a pegar
           As chuva fica mais pouca
           Se quiser pode anotar

                         XI
(M.S) Teimar pra mim é perdido
           Porque o certo é o certo
           De consciência tranquila
           Prefiro enxergar de perto
           Pois, se não tiver cuidado
           Nós vamos virar deserto
                      
XII
(C.B)   Deserto é sua cabeça  
            Que só fala coisa ruim
            Nosso senhor vai prover
            Pro gado vai ter capim
            Tem melhor informação
            Que pegar com os cupim

                        XIII
 (M.S) Uma das causas da seca
           Vem da localização
           Massa quente de ar seco
           Predomina no sertão
           Com a baixa umidade
           Não há precipitação

XIV
(C.B)   As coisa num acontece
            Do jeito que você quer
            Tem os aviso que vem
            Pelas mensagens da fé
            Nós se baseia nas chuvas         
             Do dia de São José

                       XV
(M.S)    A meteorologia
             Faz toda investigação
             Temperatura, umidade
             A atmosfera e pressão
             Na maioria dá certo
             A ciência tem razão

                       



XVI
(C.B)   A experiência da roça
            Num troco ela por nada
            Se a barra do nascente
            Em janeiro sai manchada
            O inverno tá garantido
            Já é coisa confirmada
           
(M.S)         XVII

          Sou versada na ciência
          Desconheço outro jeito
          Precisamos entender
          Que há causas e efeitos
          Trabalhar com adivinhos
           É fora do meu conceito

                   XVIII
(C.B)  Você já viu como faz
           A abelha do arapuá?
            Ela fica muito gorda
           Se a seca tá pra chegar
           A experiência da roça
           Não se pode desprezar

                    XIX
(M.S)  Estou aqui pra mostrar
            A ciência e o seu valor
            Para entender  a seca
            Muita gente estudou
            Quer ver o clima de hoje?
            Olhe no computador

                        XX
(C.B)    Chega de tanta peleja
             A lei vem do pai eterno
             Ano que vem vai ser bom
             Muita chuva e inverno
             Pois quem duvida de Deus
             Morre seco no inferno

                         XXI
(M.S)   Agradeço aos presentes
            Pela atenção dispensada
             Em dois mil e dezessete
            Também quero invernada
            Sou nordestina também
             E sem chuvas somos nada.





            APRESENTADOR(A)

            Encerramos  esta peleja e agradecemos a todos pela participação. Lembramos que não temos nenhum interesse de colocar a ciência como mais importante, muito menos a experiência do homem da roça; queremos apenas nos distrair e ressaltar que trabalhando unido, respeitando cada conhecimento, poderemos viver numa sociedade melhor.
            (Participantes do duelo se despedem com um abraço)



Autor: José Holanda Oliveira (18/10/2016)

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